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Cesgranrio · Petrobras · Técnico(a) de Operação Júnior · 2014 · questão 42

Cesgranrio Petrobras 2014 Física · Conservação da energia mecânica também em Física · Energia potencial elástica

Questão 42

Em um brinquedo de parque de diversões, uma bola de 500 g deve ser arremessada verticalmente para cima, atingir uma mola após percorrer 1,80 m, e comprimi-la 20,0 cm de modo a acender a Lâmpada da Vitória, como mostra a Figura abaixo.

Figura da prova, arquivo q42_fig01.png

Considerando os atritos desprezíveis e a mola ideal, qual deve ser, aproximadamente, em m/s, a velocidade inicial mínima da bola para que a Lâmpada da Vitória seja acesa?

  • Dados
  • aceleração da gravidade \(=10\) m\(\cdot\)s\(^{-2}\)
  • Constante elástica da mola \(=750\) N/m
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Resposta da banca: B

Resolução comentada

Situar o problema antes de calcular.

Assunto

Trabalho e energia — conservação da energia mecânica com energia potencial elástica de mola.

Objetivo

Reconhecer que a altura mínima para acionar o contato da lâmpada é atingir \( h = 2{,}00\) m com velocidade \( v = 0\). Considerando a mola ideal e os atritos são desprezíveis então podemos aplicar o princípio de conservação da energia mecânica.

Conceitos para revisar

Energia mecânica se conserva

Sem atrito e com mola ideal, a soma é a mesma em qualquer instante. Nada se perde no caminho: a energia só troca de forma, de cinética para gravitacional e elástica.

\[E_m = E_c + E_{pg} + E_{pel}\]
\(E_m\)energia mecânica
\(E_c\)energia cinética
\(E_{pg}\)energia potencial gravitacional
\(E_{pel}\)energia potencial elástica

Energia potencial elástica

A metade existe porque a força elástica cresce de zero até \(kx\): vale a força média, e não a força final.

\[E_{pel} = \dfrac{1}{2}\,k\,x^{2}\]
\(k\)constante elástica da mola
\(x\)deformação da mola

Energia potencial gravitacional

A bola não para ao encostar na mola: ela continua subindo enquanto comprime, e a altura vai até lá.

\[E_{pg} = m\,g\,h\]
\(m\)massa da bola
\(g\)aceleração da gravidade
\(h\)altura do ponto de partida até onde a bola para

O que significa velocidade mínima

É a velocidade que faz a bola chegar à compressão de 20,0 cm com velocidade nula — o suficiente e nada mais. Qualquer sobra de velocidade comprimiria a mola além disso.

Preparar o terreno antes de calcular.

Esquema

v 0 1,80 m 20,0 cm altura da subida 2,00 m compressão máxima v = 0 mola relaxada

A figura da prova cota os dois trechos separados; o esquema junta os \(2{,}00\) m de subida total e marca onde a bola para, que é o que entra no balanço de energia.

A figura da prova

Vista de frente, com o chão como uma linha horizontal embaixo e o teto como outra linha em cima. No chão, uma bola. Presa ao teto, uma mola helicoidal pendurada, com uma seta apontando para ela e o rótulo contato da Lâmpada da Vitória. Duas cotas verticais tracejadas marcam as distâncias: 1,80 m da bola até a extremidade livre da mola e 20,0 cm dessa extremidade até o teto, que é o curso de compressão.

Dados

GrandezaValor
Massa da bola \(m\) \(500\) g
Subida até a mola relaxada \(1{,}80\) m
Compressão da mola \(x\) \(20{,}0\) cm
Constante elástica \(k\) \(750\) N/m
Gravidade \(g\) \(10\ \text{m}\cdot\text{s}^{-2}\)
Atrito desprezível, mola ideal autoriza conservar a energia mecânica
Velocidade inicial mínima \(v_0\) incógnita

Conversões

Duas, e as duas são obrigatórias: \(500\) g \(= 0{,}500\) kg e \(20{,}0\) cm \(= 0{,}200\) m. Como \(k\) está em N/m, a deformação tem de entrar em metros.

Estratégia

  1. Fixar os dois estados: bola no chão com \(v_0\), e bola parada na compressão máxima.
  2. Igualar a energia mecânica dos dois estados — no início só há cinética; no fim, só gravitacional e elástica.
  3. Somar a compressão à subida antes de calcular a parcela gravitacional.
  4. Substituir os números e isolar \(v_0\).

Agora sim, calcular.

Passos lógicos

A resolução tem 5 passos. Revele um de cada vez e, antes de abrir cada um, tente prever a linha de raciocínio.

1

Condição de mínimo

A menor velocidade possível é a que faz a bola chegar à compressão máxima e parar exatamente ali. Sobrando velocidade, a mola comprimiria mais que 20,0 cm.

\[v_{\text{final}} = 0\]
2

Conservar a energia mecânica

Sem atrito e com mola ideal, o total é o mesmo nos dois estados: a energia cinética do lançamento se transforma em energia potencial gravitacional mais energia potencial elástica.

\[\dfrac{1}{2}\,m\,v_0^{2} \;=\; m\,g\,H \;+\; \dfrac{1}{2}\,k\,x^{2}\]
3

Decidir a altura que entra em mgh

A bola continua subindo enquanto comprime a mola, então a subida vai do chão até a compressão máxima.

\[H = 1{,}80 + 0{,}200 = 2{,}00\ \text{m}\]
4

Substituir os números

Com \(m = 0{,}500\) kg e \(x = 0{,}200\) m, cada parcela do lado direito vira um número em joules.

\[\dfrac{1}{2}(0{,}500)\,v_0^{2} \;=\; (0{,}500)(10)(2{,}00) \;+\; \dfrac{1}{2}(750)(0{,}200)^{2}\]
5

Isolar a velocidade

O lado direito soma \(10\ \text{J} + 15\ \text{J} = 25\ \text{J}\). Dividindo por \(0{,}250\) e tirando a raiz:

\[0{,}250\,v_0^{2} = 25 \quad\Longrightarrow\quad v_0^{2} = 100 \quad\Longrightarrow\quad v_0 = 10{,}0\ \text{m/s}\]

Resposta

\[v_0 = 10{,}0\ \text{m}\cdot\text{s}^{-1}\]
Alternativa B

Acelerar, conferir e escapar da armadilha.

Como resolver rápido

Não vi caminho mais curto do que a própria conservação de energia: são duas parcelas e uma raiz. Fica aqui a resolução mínima. Se você achou uma forma mais direta e fisicamente coerente, compartilhe com a turma.

\[\dfrac{1}{2}\,m\,v_0^{2} \;=\; m\,g\,H \;+\; \dfrac{1}{2}\,k\,x^{2}\]
\[0{,}25\,v_0^{2} = 0{,}5 \cdot 10 \cdot 2 + 0{,}5 \cdot 750 \cdot 0{,}2^{2}\]
\[0{,}25\,v_0^{2} = 10 + 15 = 25\]
\[v_0 = \sqrt{100} = 10{,}0\ \text{m/s}\]

Avaliar a coerência

1Piso: só a subida já custa mais que isso

Esquecendo a mola, subir \(2{,}00\) m exige \(v = \sqrt{2gH} = \sqrt{40} \approx 6{,}3\) m/s, uma raiz só. Com a mola no caminho, a resposta é maior. Cai (A) 4,50.

2Teto: a energia envolvida é pequena

O brinquedo pede \(10\) J de subida mais \(15\) J de mola, \(25\) J no total. Uma bola de meio quilo a \(25\) m/s carrega \(156\) J, seis vezes demais; a \(15\) m/s, \(56\) J. (D) e (E) estão fora de faixa.

Cuidado com a pegadinha

A metade da energia elástica — e a alternativa (C)

Quem escreve a energia da mola como \(k x^{2}\), sem a metade, soma 30 J em vez de 15 J, chega a 12,6 m/s e encontra (C) pronta na lista: escorregão de quem sabe a matéria.

Quem escreve a energia da mola como \(k x^{2}\), sem a metade, soma \(30\) J em vez de \(15\) J, chega a \(v_0 = \sqrt{160} \approx 12{,}6\) m/s e encontra a alternativa (C) pronta na lista. É escorregão de quem sabe a matéria: \(F = kx\) e \(E_{pel} = \dfrac{k x^{2}}{2}\) moram lado a lado no caderno, e sob pressão a metade some.

AntídotoGuarde de onde vem a metade: a força da mola cresce de \(0\) até \(kx\), então quem trabalha é a força média, \(kx/2\). No gráfico \(F \times x\), a energia é a área de um triângulo — e triângulo tem metade da área do retângulo.

O outro deslize é medir a subida só até a entrada da mola, \(1{,}80\) m: dá \(9{,}8\) m/s e, com o aproximadamente do enunciado, ainda leva a (B). Acertar por sorte hoje é errar amanhã — a bola sobe enquanto comprime, e a altura vai até \(2{,}00\) m.